ahmad khatib

Watch Dogs 2 | Crítica

OPÇÃO 01 OPÇÃO 02


O primeiro Watch Dogs é um dos jogos mais polêmicos dos últimos 10 anos. Poucas coisas geraram tantas expectativas e receberam tantas críticas no mundo dos jogos. Foram muitas promessas, e ao fim de tudo, a maioria não tinha sido cumprida. Mas como tantas coisas no mundo da tecnologia, é preciso uma versão 2.0 para realmente vermos o potencial de algo ser transformado numa experiência de qualidade.


Watch Dogs 2 é tudo que o primeiro Watch Dogs prometeu ser. Divertida, cheia de mecânicas interessantes e com uma cidade inacreditável, a continuação é provavelmente o melhor jogo da Ubisoft desde o histórico Assassin's Creed II. Aiden Pearce e Chicago ficaram para trás. Agora é a hora de conhecer Marcus Holloway e a gangue de hackers da DedSec enquanto exploramos São Francisco, a capital tecnológica do planeta Terra. Da interface visual à trilha sonora, a diferença para o primeiro jogo é tão grande, que Watch Dogs 2 poderia ser um reboot da franquia.





Tudo é uma questão de estilo. Watch Dogs 2 está transbordando em diversão em todos os aspectos. Na narrativa, o jogo conta com personagens variados e bem desenvolvidos. Holloway, que decide ir atrás da gigante tecnologica Blume, a grande vilã da história porque seu sistema de risco o marcou como um provável criminosos, parece ser uma pessoa real. Do design único aos diálogos naturais, junto com a dublagem sensacional (se você puder, jogue em inglês), ele causa uma ótima primeira impressão e continua assim até o final. Os outros membros da DedSec também são muito bem construídos. Sitara é uma líder nata, Wrench é o melhor alívio cômico dos games este ano, e Josh é um antissocial adorável que também contribui para o humor.


Cada um traz uma personalidade diferente, e as interações e diálogos entre eles, combinados com as próprias missões, geram um verdadeiro sentimento de amizade. Você quer passar tempos com esses personagens. Quando Wrench e Marcus começam uma discussão para ver quem venceria na luta entre o Alien e o Predador, ou Josh finalmente entende uma piada safada, é difícil segurar os sorrisos Até o vilão do jogo - o chefe de tecnológia da Blume, um verdadeiro hipster que usa coque e faz ioga - é divertido de acompanhar, porque ele é quase uma paródia dos executivos jovens e modernos empregados pelas gigantes da indústria para se mostrarem "legais."


Tudo isso também pode ser visto em vários outros aspectos Watch Dogs 2. A cidade de São Francisco está entre as melhores de um jogo de mundo aberto. Ela é viva, variada em seus ambientes e pessoas - ao caminhar, você vai ouvir habitantes falando em inglês, espanhol, chinês - que reagem aos acontecimentos da economia, tecnologia, das notícias, e das coisas causadas por Marcus e a DedSec, de uma forma que realmente parece real. Muitas vezes, você vai ouvir dois amigos conversando sobre uma empresa antes mesmo dela se tornar um ponto importante da narrativa. Com isso, quando a DedSec decide hackear algum alvo, há uma sensação de que aquilo é um elemento real da vida dos californianos no game, e não só um novo local para invadir porque os desenvolvedores dizem que você tem que invadir. O que Marcus faz na rua e nas operações da DedSec também tem um impacto nos diálogos, nas transmissões de TV e no rádio. São Francisco nunca fica estática, ela está sempre indo para frente.





Watch Dogs 2 captura a vida do século 21 tão bem quanto GTA V, mas sem focar tanto na sátira em si. Há versões fictícias do Google (Nudle), Uber (DriverSF), SpaceX (Galilei), da Igreja da Cientologia (New Dawn) e tantas outros aspectos da sociedade pós-moderna norte-americana. Você encontra bilionários que vivem em smarthouses, grupos de todo tipo fazendo festas em lugares abandonados, na praia ou em um beco qualquer. Gangues asiáticas, latinas, de negros. Há piadas e paródias com tudo isso e muito mais. Você invade e hackeia diversos desses grupos, e a presença de todos eles ajuda a transformar São Francisco em uma cidade multidimensional, o que é totalmente justo, já que ela é assim no mundo real também. O Vale do Silício está logo ali do lado, a cultura asiática é enorme, há restaurantes de frutos do mar em todo lugar. O ecossistema é palpável, dinâmico, vivo e, o mais importante, totalmente hackável.


Todas as promessas feitas pelo primeiro Watch Dogs - você pode hackear basicamente tudo na cidade, é possível completar missões sem nem colocar o pé dentro do prédio onde o computador que você busca está localizado - são cumpridas aqui. Cada cidadão, cada sinal de trânsito, cada carro, empilhadeira, guindaste, painel eletrônico e sistema de segurança pode ser hackeado e manipulado. Talvez você precise desbloquear alguns upgrades para conseguir tudo, mas as ferramentas estão lá. Eventualmente, usando seu drone e carrinho de controle remoto (o melhor amigo de um hacker!), câmeras de segurança e um ou outro smartphone, Marcus consegue roubar os dados de algum alvo enquanto está sentado com seu notebook no colo do lado de fora dos muros da gigante tecnológica que está sendo invadida agora.


Para melhorar, tudo isso funciona de uma forma simples e direta. Basta apertar um ou dois botões, e você já fez o que queria fazer. O smartphone de Marcus - que pode ser usado para ouvir músicas, gerenciar missões e upgrades, tirar fotos e usar apps - é um dos melhores celulares em games de todos os tempos, e também é a principal arma do hacker. Com o tempo, usá-lo para distrair guardas e abrir portas passa a ser pura memória muscular. Ele é o seu sexto sentido, a extensão do seu braço, seu terceiro olho. Mecanicamente falando, Watch Dogs 2 é surpreendentemente acessível, mas nunca chato. A simplicidade apenas ajuda a integrar os diversos recursos disponibilizados para o jogador ao gameplay de momento a momento.






Com tudo isso em mãos, o jogador conduz Marcus e a DedSec na missão de juntar seguidores, se fortalecer na luta contra a Blume, e, nas palavras deles, "transformar essas pessoas em humanos novamente." Não há uma história trágica de um familiar que morreu para motivar esses personagens. Eles são jovens que entendem de computadores e vêem uma sociedade com problemas. É simplesmente natural que eles partam na direção que seguem. Watch Dogs 2 conta uma história atual, misturando temas como privacidade, eleições, robôs, aplicativos, racismo e cultura pop. As missões são um pouco repetitivas - você vai invadir os lugares e hackear algum computador lá dentro mil vezes - mas isso não afeta a experiência total. Até mesmo na atividade mais mundana, a Ubisoft garante que você vai ouvir diálogos naturais e engraçados, ou quem sabe uma excelente música da trilha sonora original do jogo.


A forma como as missões surgem também é incrivelmente natural. Em certo momento, você e Wrench estão vendo um trailer para um filme e têm uma ideia. Ou quem sabe você e seus amigos marcaram de ir comer, e descobrem que estão sendo hackeados. Ou quem sabe Marcus está andando na rua e hackeia a ligação de um executivo da Ubisoft, decidindo vazar um jogo novo deles para o mundo. A progressão da narrativa, tanto no main quest quanto em atividades secundárias, é basicamente invisível, totalmente integrada ao ciclo de gameplay pelo qual o jogador caminha constantemente.


O multiplayer de Watch Dogs 2 é totalmente conectado ao singleplayer. São atividades divertidas, como tentar hackear outro jogador sem ser descoberto, ou o contrário, encontrar e eliminar o seu invasor. Também há missões cooperativas para terminar junto com um amigo. Essas atividades são divertidas, mas funcionam mais como um acompanhamento. O modo online é a batata frita, enquanto a campanha fica como o hambúrguer. Se ele não existisse, o prato principal continuaria delicioso, mas já que estão lá, temos mais um sabor para experimentar.


Watch Dogs 2 é um exemplo primoroso da cultura no século 21. Sua interface é colorida e estilizada, seus personagens são variados, sua cidade está sempre em movimento. Tudo, da política aos filmes e suas celebridades, são motivo e piadas. O mundo virtual está totalmente entrelaçado com o real. Há uma sensação de oportunidade no ar, e o jogo acerta em quase todas. Sim, vão existir momentos em que o jogo vai parecer aquele seu tio que tenta ser moderninho, mas no geral o sentimento que a Ubisoft cria aqui é de que ela está ciente da sociedade em que vivemos, e que a única forma de representá-la fielmente é com humor, diversidade e dinamismo.





Como resultado, temos um dos jogos com mais identidade, carisma e humor de 2016. Aliado a isto está um sistema de gameplay de fácil acesso, mas que ao mesmo tempo comporta uma enorme gama de mecânicas que se integram naturalmente aos objetivos e missões. Com ótimos personagens e uma cidade incrível, a Ubisoft garante que mesmo nas horas mais fracas, Watch Dogs 2 é algo que você vai querer continuar jogando. Isso é algo que o primeiro nunca conseguiu fazer.
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